Bobo da corte

Sabe, ultimamente eu tenho usado muito o chocoolatequente para desabafar e falar tudo aquilo que penso e sinto.

Peço desculpas à você que certamente o acompanha sempre, ou não.
Mas se eu não falar aqui, onde mais eu iria?
Ninguém está realmente interessado em me perguntar o que me aflige ou que tem me magoado.
As pessoas perguntam umas as outras como estão por educação.
Se parar para perceber, ninguém quer saber as coisas ruins.
Nós nos preocupamos muito com nos mesmos.

Acredito que eu seja um bobo da corte sem aquela roupa estranha e sem um reino.
A cada dia que passa eu vejo que as pessoas têm esperado de mim risadas e algum erro meu para sentirem o gosto da fofoca sem mágoas.

Desde que nasci tive inúmeras personalidades. Na adolescência é a época em que isso mais muda. Nessa minha fase agora muitos de meus amigos me consideram engraçada e divertida.
É bom fazer as pessoas rirem? É.
E realmente agradeço a Deus por conseguir tal façanha tão facilmente.
Porém, chega a um ponto que pessoas como eu precisa mais do que um bom adjetivo para massagear nossos egos e sorrisos.

Algo que os queridos a nossa volta não têm percebido é o quanto somos desvalorizados.
Ninguém presta atenção quando um bobo da corte quer compartilhar sua opnião sobre um assunto importante.
Todos fingem que levam em consideração mas sem perceberem, no automático, eles simplesmente nos ignoram.
Bobos da corte não foram feitos para discutirem certas coisas. Suas funções só devem ser limitados a serem alegres, divertidos e engraçados.

Me magoa profundamente quando vejo que sou ignorada e nunca levada à sério.
Me sinto incompetente vendo minhas ideias, opiniões, sentimentos sendo descartados tão rápidos e, acredite, todo mundo acha que estou fazendo graça...
Quando na verdade eu falo com seriedade.

Não me importo em ser "zoada" grande parte do meu tempo quando estou com meus amigos.
Noventa por cento das vezes levo na boa e sem ressentimento as suas piadinhas debochadoras em relação a minha pessoa.
Porém, sempre penso quando é que alguém vai ter a coragem e ousadia para censurarem os comentários que fazem.
Não gosto de admitir, mas confesso... Às vezes preciso mesmo de alguém dizendo: chega!
Não é necessário ficar rindo de tudo o que eu faço.

É assim que sempre me sinto. Verdadeiramente como uma Boba da Corte.
Chego a pensar que só sirvo para isso mesmo.
Por mais que uma pequena voz me diga que não é verdade...
As pessoas ao meu redor só tem me afirmado por meio de ações sutis e palavras disfarçadas de que sou inútil.
Queria que ao menos uma vez as pessoas não esperassem de mim algum feito para render em gargalhada, gostaria que soubessem que não só tenho isso a oferecer.
Queria mesmo saber como é ser tratada como uma garota inteligente e não palhaça.
Fico refletindo se algum dia eu surpreendi as pessoas por algum bom ato ou palavras que os comoveu.
Acho que nunca saberei...

Nas últimas semanas tenho procurado saber o que eu procurado encontrar um rumo para minha vida e não achei boas respostas. Isso desanima.
Os outros me dizem que tenho habilidades. Então porque simplesmente não me dizem logo, de cara, para que sirvo?
Cada vez mais está sendo mais difícil para o ser humano ajudar o outro e serem sinceros?

Então percebo que o problema não está em mim e sim com os outros.
Afinal de contas... Todo mundo se preocupou em saber o final da história de cada rei.
Mas ninguém pensou no que havia além na vida do Bobo da Corte. Por onde ele foi?

Acredito que ele ficou expert em sorrir.
A falsidade de cada sorriso é tão boa que ninguém questiona.
E devido a isso, sempre acharam que estava tudo bem.
Será que vida de bobo da corte é tão perfeita a ponto de vê-lo feliz 24h?
Ele ainda existe por ai sob várias formas e facetas.
E ainda assim, sempre será tratado como personagem secundário.

A verdade é que a humanidade censura a todos se houver tristeza.
Se alguém chorar de dor, porque em vez de dizer: "Não chore, pense em coisas boas" nós não podemos dizer: "Coloca tudo para fora que ai você melhora"?
Sempre tem que há uma forma de anular essas dores e não permitir que elas apareçam.

Se o bobo da corte alegram as pessoas, então quem irá nos fazer sorrir nos dias ruins?

Algum dia alguém vai enxergar em minha falsa face de felicidade a minha verdadeira dor?
E mesmo que veja, será que terá a ousadia de me consolar?

Dizemos uns aos outros que os conhecemos... Será mesmo?

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